quarta-feira, janeiro 20, 2010

4 semanas não é igual a um mês.
Só se for Fevereiro.
E se for ano comum.

sábado, janeiro 16, 2010

Ponto 2.

Não deixo de me impressionar com a quantidade de coisas importantíssimas que me obrigam a parar de escrever:

- Pintar as unhas de encarnado.
- Ver se as janelas estão todas bem fechadas.
- Fazer mais chá.
- Fumar um cigarro para descansar.
- Ir ao frigorífico, para o caso de haver alguma coisa que apeteça.
- Ligar à mãe para saber se é preciso alguma coisa.
- Fazer um pequeno intervalo para ligar a televisão.
- Ouvir pela 5ª vez o CD que a M. me emprestou.
- E os outros 4 CDs.
- Postar no blog.
- Arrumar a secretária.
- Pensar no que vou vestir logo - para nada específico, confesso.
- Fazer listas de coisas.

Ponto 1.

Tenho sede de sol. Pode ser com frio, mas sol. Não me serve esta película que se agarra às coisas todas. O meu cabelo também agradece.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Podia ser isto


















Mas não é bem.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Gostava de falar sobre

a aula de Theory of Knowledge que dei ontem e que adorei
os pacientes que consegui para a tese, pela Associação
o gravador novo e as cassetes pequeninas
a Carlinha, de quem gosto cada vez mais
a fidelidade ao Francês, que vai mais difícil do que esperava
o horário óptimo e inesperado no colégio
a possibilidade de trabalho para depois, também no colégio
a Fé, a Paz e a Procura
...

quarta-feira, janeiro 13, 2010

A cura parece dar-se pela estreiteza de memória. Contudo, apenas se observa o apagamento do sintoma, que, à mínima corrente de ar, pode surgir reforçado. Aconselha-se a tomada de consciência e racionalização. Em caso de persistência, afaste-se do frigorífico.

Theory of Knowledge

Check!

sábado, janeiro 09, 2010

estamos todos a precisar de umas boas horas de sono

terça-feira, janeiro 05, 2010

Ao contrário do que se pensa

querer não é o contrário de não querer.

domingo, janeiro 03, 2010

a miúda que lia o velho que lia romances de amor

sentada, quase deitada, no sofá profundo do casão, enrolada num cobertor mais pesado que ela. O que ouvia era alguma coisa entre a madeira a estalar na lareira enorme, o som das bolas de snooker umas nas outras, os tiros dos caçadores ao longe e o barulho da floresta tropical em que se envolvia na dormência da leitura.
O ambiente é difícil de descrever, é feito de fumo quente que entra na pele e aconchega o corpo das cinco da tarde. Aqui acabam de almoçar e começam a pensar no jantar. Os dias prolongam-se e adiam o recomeço. Não sai de casa sem um bom casaco de fazenda, aquele cintado com forro de xadrez, uma pechincha. Faz frio, o frio que apetece porque a lareira está acesa e antes de dormir partem-se umas nozes junto ao fogo e acaba-se o vinho do jantar.
Aqui há tanto tempo para preparar o tal recomeço que, na verdade, nem apetece (Precisas de férias das férias), que a solução é adormecer a meio da tarde, um bocadinho, com os cães aninhados aos pés.
Reler traz o problema de [não tenho tempo na vida para tudo o que quero ler na vida], mas o reler é voltar à troca de ideias com o pai - que lhe ensinou a literatura latino-americana.
Ela andava com vontade disto há uns tempos, tinha um plano bem definido - e foi diferente do projectado, tudo bem.

A força de um conceito


domingo, dezembro 20, 2009

...

quando é assim apetece-me entregar-me e deixar-me levar. não tenho forças para lutar contra a corrente.

e não é um descanso dos outros dias: é o peso do silêncio deles.

sábado, dezembro 19, 2009

A vida muda. Quando um Sábado de sol começa como o de hoje, então estou especialmente virada para pensar nestas coisas de mudanças de vida. Dá-me saudades. Não de nada muito concreto, mas saudades de um tempo qualquer em que os Sábados com sol serviam para fazer alguma coisa com todos, e os Sábados começavam de facto com todos. Isto é mais um traço de personalidade do que o acordar de hoje. É dia de café em caneca grande, um cigarro na varanda ao sol e sair de casa para ir andar por aí (não tão aleatoriamente como isso). Sou uma pessoa de hábitos, é tudo muito cíclico* - normalmente, pelo dia da semana em que estou, à vezes em ciclos não tão curtos, sei como é que vou acordar e como é que me afectam as coisas, como esta luz, por exemplo. Hoje é um dia muito bom para me deitar na areia outra vez. Vá, já chega. Tenho 17 dias inteiros pela frente.
* Cf. o histórico deste blog.

Un_certainty

quinta-feira, dezembro 10, 2009

sábado, novembro 28, 2009

Tempo: sem

As semanas acontecem com vento a passar-lhes por baixo e a levá-las mais depressa.
Parece não haver tempo para tudo o que está a vir - e cada vez me envolvo em mais.
E eu creio que se um de nós fosse martirizado, não pela Fé, que já tem bastantes mártires, mas pela Caridade, se um de nós subisse à forca ou à fogueira, em lugar, ou mesmo ao lado, da mais repugnante vítima, haveria de encontrar-se então sob novos céus, sobre uma nova terra. O pior velhaco ou o mais pernicioso herético nunca será tão inferior a mim como eu o sou em relação a Jesus Cristo.
In A obra ao negro, Marguerite Yourcenar, 1985.

domingo, novembro 22, 2009


Mais do que os quadros já postos na parede, há histórias novas para contar.

segunda-feira, novembro 16, 2009

As próprias ideias deslizavam. O acto de pensar importava-lhe agora mais do que os duvidosos produtos do pensamento em si. Examinava-se a pensar, tal como se contasse, com o dedo sobre o pulso, as pulsações da artéria radial, ou, sob as costelas, o vaivém da respiração. Toda a vida se espantara com essa faculdade que as ideias têm de se aglomerarem friamente como cristais, formando estranhas figuras vãs; ou crescerem como tumores devorando a carne que os concebeu; ou assumirem monstruosamente certos contornos da pessoa humana, à maneira dessas massas inertes que algumas mulheres dão à luz e que, em suma, não são mais do que um sonho da matéria. Uma boa parte dos produtos do espírito não passava também de disformes sombras lunares. Outras noções, mais claras e nítidas, como que fabricadas por um mestre artesão, eram, porém, como aqueles objectos que, à distância, iludem; imensamente admiráveis eram os ângulos e arestas; e todavia não passavam de grades aonde o entendimento a si mesmo se aprisiona, abstractas ferragens que a ferrugem da falsidade não tardaria a carcomir. Tremia-se, por momentos, perante a iminente transmutação: um pouco de ouro parecia brotar no crisol do cérebro humano; não se conseguia, contudo, mais do que uma equivalência; da mesma forma que, naquelas experiências grosseiras com que os alquimistas da corte tentam provar aos príncipes seus clientes que algo descobriram, não era o outro, no fundo da retorta, senão o de um banal ducado que, depois de correr de mão em mão, ali foi posto pelo alquimista antes da fervura. Tal como os homens, morriam as noções: vira, no decurso de meio século, várias gerações de ideias desfazerem-se em pó.
Sentia-se penetrar por uma metáfora mais fluida, produto de antigas viagens marítimas. Este filósofo que procurava abarcar no seu todo o entendimento humano, via, subjacente a ele, uma massa submetida a curvas calculáveis, estriada por correntes cujo mapa seria fácil de traçar, de fundas pregas cavada, pelas massas de ar e a pesada inércia das águas. Acontecia, com estas figuras assumidas pelo espírito, o mesmo que com aquelas formas nascidas das águas indiferenciadas, ora assediando-se ora revezando-se, à superfície do pego; cada um dos conceitos acabava por se desfazer no seu próprio contrário, da mesma guisa que duas vagas, ao tocarem-se, se aniquilam numa só e mesma branca espuma. Zenão ficava-se a ver fugir essa vaga desordenada, que consigo levava, como destroços, aquelas poucas verdades sensíveis de que julgamos estar seguros. Muitas vezes lhe pareceu entrever, por sob o fluxo, uma qualquer substância imóvel, a qual estaria para as ideias como as ideias estão para as palavras. Nada, porém, provava que tal substrato fosse a camada última, nem que uma tal fixidez não escondesse um movimento demasiado violento para o humano intelecto. A partir do momento em que renunciara a confiar de viva voz tudo o que pensava, ou a consigná-lo por escrito sobre a banca dos livreiros, essa privação obrigou-o a descer mais fundo que nunca, em busca de puros conceitos. Renunciara agora, temporariamente, a todos os conceitos em prol de um exame mais profundo; como quem retém a respiração, retinha ele o espírito, a fim de melhor ouvir aquele barulho de rodas a girar tão rapidamente que uma pessoa nem se apercebe de que rodam.
In A Obra ao Negro. Marguerite Yourcenar, 1985. Pp. 176-178

segunda-feira, novembro 09, 2009


Esperar não é perder tempo. Esperar é tempo.
É tempo que se transforma em sabedoria.