Depois de chegar a uma certeza e de uma noite sem conseguir dormir sobre essa certeza vem sempre um dia difícil. E se esse dia acabar por derrubar essa certeza, posso esperar por uma noite impossível. Acabo de descobrir o que procurava em Paris. Mas não em mim e não na minha vida. Viver no 8éme nao é um estrondo, como eu pensava. Acabei de descobrir o que é Erasmus, mas não o meu erasmus. E acabei de descobrir que tudo o que escrevi aqui antes não passou de ilusão: a janela de oportunidades que se abriu em Maio acabou por ser a mais castradora das experiências. E quase desisti de tudo sem saber o que era tudo. E agora voltei à incerteza.
Já sei que quero viver em Paris mas não sozinha em Paris, mas não sei como vou fazer para conseguir isso. Já sei que preciso de um trabalho, mas este não me serve, quero outro. E o mestrado é secundário, há muito mais para viver aqui, e a falta de 18 créditos não passa de um pormenor. Mais um ano? O que é isso, comparado com 3 meses aqui? E descobri tudo isto em 50 minutos numa maison de portugal na cité universitaire, com não sei quantos portugueses que vieram cá fazer o mesmo que eu, mas que encontraram uma vida muito diferente da que eu tive. Tenho de ficar. Tenho de encontrar o meu lugar em Paris, afinal o que eu imaginei existe e não é assim tão inalcançável. Um esforço, não me parece que seja muito mais do que isso. Tenho de me encontrar, tenho de perceber o que quero (ou antes: tenho de perceber como chegar ao que quero). Obrigada J. Paris por outros olhos.




